Arquitetura energética modular na corrida pela resiliência digital
Por Aluízio Ábdom, Diretor Comercial e de Marketing da Engetron
O setor de data center no Brasil está em um momento decisivo. Com o lançamento do Programa Nacional para Data Centers (ReData), que prevê isenções de impostos para equipamentos voltados a esses centros de dados, o segmento deve passar por uma revolução quando os planos saírem do papel. De acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), os investimentos previstos para a cadeia podem chegar em R$ 200 bilhões até 2030 com o programa. Esse movimento eleva a competitividade do Brasil no cenário global, posicionando o país como um polo estratégico para operações digitais de alta complexidade.
Além do ReData, outra iniciativa recente reforça a atenção voltada para o setor. Recentemente, a Anatel definiu diretrizes para a avaliação da conformidade de data centers que integram as redes de telecomunicações. Com isso, os centros que fazem parte da infraestrutura das operadoras precisarão atender a requisitos de eficiência energética, segurança física e cibernética, resiliência e sustentabilidade ambiental.
Essas mudanças ocorrem em um cenário no qual os data centers ganham cada vez mais importância para os negócios. A evolução da Inteligência Artificial, que exige enorme poder computacional, por exemplo, é um dos impulsionadores dessa transformação. Nesse contexto, não há margens para improvisos e quem não se preparar enfrentará problemas, inclusive a perdas de grandes oportunidades de crescimento.
Uma das mais importantes bases para sustentar esse avanço está na energia. Afinal, data centers são ambientes críticos, em que qualquer falha elétrica pode comprometer operações inteiras, com prejuízos milionários, perda de dados e danos irreparáveis à reputação. Para mitigar tantos riscos, os UPSs (Uninterruptible Power Supplies) se tornam peças essenciais para assegurar fornecimento estável e contínuo de energia, evitando quedas bruscas durante apagões ou oscilações na rede elétrica. Essa proteção permite a continuidade das operações diante de imprevistos energéticos, preservando ativos tecnológicos e as operações.
No entanto, somente garantir a proteção contra falhas não será suficiente diante da complexidade atual. Será preciso combinar essa segurança com escalabilidade e flexibilidade para acompanhar o ritmo acelerado de crescimento do setor. E é aqui que os UPSs modulares fazem toda a diferença.
Esses dispositivos permitem expandir a disponibilidade energética de acordo com a necessidade, por meio da adição de módulos de potência. Conforme a demanda cresce com mais servidores sendo incorporados para suportar a expansão da inteligência artificial e dos serviços em nuvem, por exemplo, novos módulos podem ser integrados ao sistema de maneira ágil e segura.
Essa flexibilidade elimina o superdimensionamento inicial e oferece uma resposta sob medida à lógica dos negócios, com toda a potência energética e escalabilidade necessárias. Além disso, os equipamentos possibilitam que a energia seja fornecida de forma redundante, inclusive estendendo a vida útil dos equipamentos conectados a eles. Com alta densidade de energia, eles ainda permitem atender grandes cargas em espaços reduzidos, algo essencial para operações compactas ou em expansão vertical.
A adoção de UPSs modulares vai muito além de uma escolha técnica e está diretamente ligada à capacidade do Brasil de sustentar a expansão que o ReData promete e de atender aos padrões regulatórios que estão por vir. Esse mercado caminha para uma infraestrutura mais robusta, eficiente e segura, e as empresas que souberem alinhar inovação, conformidade e estratégia de longo prazo estarão preparadas para crescer e liderar a próxima fase da transformação digital no país.



