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BRASIL TERÁ NOVO APAGÃO ATÉ 2010
07/06/2006 - Autor: Paulo Paiva - Estado de Minas - Economia

Analistas alertam que a relação entre oferta e demanda de energia está cada vez mais apertada

Hidrelétrica de Furnas
Há um curto circuito à vista no horizonte energético brasileiro de curto prazo. Segundo estimativa de especialistas, a demanda nacional de energia elétrica será cerca de 1,2% maior que a oferta já em 2010. Nesse ano, a produção será de 58,2 gigawatts (Gw) médios, ante uma necessidade de 59,4 Gw. Na prática, significa que o país não terá energia suficiente, o que poderá gerar um novo período de recionamento e apagão.

O curto circuito, contudo, poderá chegar antes. Em 2008, o fornecimento será de 56,2 Gw, ante uma demanda de 54,3 Gw. Qualquer aumento de demanda – inclusive crescimento maior do Produto Interno Bruto (PIB) – poderá comprometer a oferta. E, em 2009, a conta estará praticamente empatada: oferta de 57,2 Gw e demanda de 56,8 Gw – uma sobra de apenas 0,7%. Oficialmente, o governo nega qualquer possibilidade de apagão “no curto e médio prazo”. Ao Estado de Minas, o Ministério de Minas e Energia confirmou que a oferta e demanda estarão de fato lado a lado em 2009 – 58,2 Gw médios e 56,2 Gw – mas não forneceu os números de 2010.

Os dados da projeção acima foram apresentados a analistas de mercado pelo consultor Mário Veiga durante evento realizado pela Cemig. Para Veiga, o Brasil vive um cenário de incertezas em relação à energia. É fato. As incertezas são muitas. Para assegurar a oferta necessária, o Brasil teria que garantir a entrada em operação, dentro dos prazos previstos, de todas as usinas previstas no papel. É uma tarefa gigantesca.

Um exemplo do tamanho do desafio é o Plano Decenal para energia apresentado pelo governo federal em março, que prevê investimentos de R$74 bilhões de 2009 a 2015 para acrescentar cerca de 40 mil MW ao parque gerador brasileiro, hoje estimado em 100 mil MW. O Plano Decenal apresenta dois pilares básicos. Um deles é a construção, pela estatal de Furnas e pela construtora Odebrecht, de duas usinas (Jirau e Santo Antônio) no Rio Madeira, em Rondônia, e da usina de Belo Monte, no Pará, pela Eletronorte. O outro é o fornecimento do programa de incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que propõe a implantação de pequenas centrais elétricas, com a geração de 3,3 mil MW.

As duas usinas do Rio Madeira estão paralisadas devido a problemas ambientais – e sem soluções à vista, já que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem cumprido seu papel com extrema dedicação. Belo Monte, com geração de 11 mil MW (quase o dobro da capacidade de geração da Cemig), sequer saiu do papel. Pelo Plano decenal, os dois projetos seriam responsáveis por 10% de todo o consumo de energia do Brasil em 2015 e dos 3,3 mil previstos pelo Proinfa, apenas 830MW estão efetivamente em construção, segundo Veiga.

Sinal Amarelo: Para garantir a energia que precisa, o país teria que investir cerca de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões anuais durante uma década. No ano passado, dos R$ 4,6 bilhões em investimentos planejados pela Eletrobrás (a holding federal de energia elétrica), apenas R$ 3,5 bilhões foram aplicados. Furnas já acendeu o sinal amarelo em relação aos projetos do Rio Madeira. Segundo o diretor de Construção da estatal, Cezar Vaz de Melo, novos leilões garantem o suprimento de energia necessário ao Brasil até 2010, desde que o país cresça na faixa dos 3,5% anuais. A partir daí, as usinas do Madeira seriam “imprescindíveis”.

O cenário traçado por Veiga é ainda mais sombrio: haverá oferta firma para atender um crescimento de demanda de energia de 4,8% anuais até 2009 – mas desde que o Proinfa seja completamente implementado, todas as hidrelétricas planejadas sejam construídas, e desde que o país consiga assegurar a implementação de cerca de 20 milhões de metros cúbicos de gás por dia num prazo de dois anos e meio. Até agora, nada disso ocorreu. “Estamos numa encruzilhada”, resumiu, a analistas, o diretor de Planejamento, Projetos e Construção da Cemig, Celso Ferreira.
ENGETRON NA FIIEE 2010